quarta-feira, 31 de outubro de 2012

TER OU NÃO TER NAMORADO

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil. Mas namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida; ou bandoleira basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. Quem não tem namorado é quem não tem amor é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar. Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário. Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira - d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro. Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria. Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. -Arthur da Távola-

domingo, 28 de outubro de 2012

CRONICA DE UM AMOR FORA DAS PISTAS

Quando disseste para que eu pisasse no freio senão iria te atropelar ou achar o muro, mais uma vez percebi que as vezes ultrapasso os limites, e que tu tentas me proteger mostrando a "bandeira amarela". Quando eu entrei, por minha vontade, nessa "corrida", já sabia que não seria uma disputa, pois já havia uma "pole position" definida. Um piloto "hours concours". Já havia uma "bandeira azul" dando sinal da minha condição. E exercer o comando de teu coração seria uma posição que eu jamais conquistaria. Pista molhada, com obstáculos, um piloto com a vitória definida há muito tempo...enfim eu teria todos os motivos do mundo para parar de correr, poderia me recolher ao meu "box", poderia apenas ser um espectadora, ou nem isso, mas percebi que não quero abandonar as pistas, não agora, pelo menos. Mesmo que a "bandeira vermelha/amarela" esteja sempre hasteada. Acho que sou como um "Rubinho Barrichello", que não ganha nunca, não tem um carro competitivo, mas é apaixonado pelo que faz, é teimoso, não quer saber de parar, nem pensa em desistir, mesmo que as vezes nem complete todo o percurso. Mas ele está lá, nas fileiras de trás, firme! Porém, chegará o dia que terei que parar, recolher-me ao box definitivamente. Chegará o dia que aparecerá a "bandeira preta" e logo será substituída pela "bandeira quadriculada". E nesse dia, espero, que eu possa ser para ti um "Ayrton Senna", que já não corre mais, mas que estará sempre em tua lembrança, e por que não, em teu coração! E tu sempre serás "meu Grande Prêmio", que mesmo não conquistado, me trouxe as mais belas emoções, soprou os ventos mais acalentados, mostrou-me os caminhos mais intensos que eu poderia percorrer! Espero que possamos ainda desfrutar de muitas emoções ao longo das pistas que ainda percorreremos, juntos ou não!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

REMAR!

Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa do jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar. Re-amar. Amar. Caio Fernando de Abreu

SIMPLES ASSIM

E aí, tu ligas pra casa daquela pessoa que sempre "quebrava os galhos" quando precisava fazer uma instalação elétrica, ver uma TV que não estava funcionando bem, trocar uns cabos e coisas desse tipo...aquela pessoa que tu conhecias há anos e quando precisava desse tipo de serviço, já dizia -chama o Fulano! E do outro lado alguém atende e diz- mas tu não sabes? Fulano morreu! Putz...baita cara, trabalhador, fazia um belo serviço, sempre dava um jeito de vir no horário que tu precisavas...e o cara morre! E morreu trabalhando. Não deu tempo de avisar ninguém. Não deu tempo de chegar em casa e descansar de mais um dia. Não esperou o final de semana, não esperou até o Natal...não esperou virar o ano! Morreu! Não era da família, não fazia parte da roda de amigos, não era íntimo, mas era o Fulano! Quem disse que ele ia morrer assim, de uma hora para outra, sem avisar seus clientes, seus parentes, seus amigos? É assim que é então? Hoje estamos aqui e amanhã podemos não estar? Simples assim? Parece bobagem, mas quando acontece perto da gente, dá um susto tão grande, dá uma sacudida nas nossas expectativas, nos nossos planos a longo prazo! Não existe previsão. Não existe hora determinada, pelo menos não que nós saibamos! Existe uma vida que pode deixar de existir a qualquer momento, estando tu alegre ou triste, dormindo ou acordado, trabalhando ou descansando, rindo ou chorando! É aquela história de que "pra morrer basta estar vivo!" Então, enquanto vivo, viva e faça de tudo para ser feliz!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

FRAGMENTOS DE UM JOGO

Difícil o primeiro dia depois que a gente toma uma decisão. Ainda mais quando não se queria que a decisão a tomar fosse essa. A gente fica buscando motivos pra voltar atrás, mas percebe que foi ferida demais, que não tiveram cuidado com seus sentimentos, que simplesmente esqueceram que haviam te cativado, que tu estavas envolvida o bastante pra deixar passar tamanha falta de atenção e sensibilidade! Sim, a gente sabia das regras do jogo desde o início, mas não contávamos que durante a partida os jogadores poderiam mudar o tipo de jogo e, assim sendo, colocar por terra toda e qualquer regra já estabelecida. Nasceram novos sentimentos, o jogo se expandiu, saiu das linhas demarcadas e tomou conta de outros espaços...profundos espaços! Já não era mais possível anular a partida, como se nada tivesse acontecido, como se não se tivesse entrado de corpo e alma dentro do campo. Mesmo que o jogo já tivesse um final concebido, conhecido, mesmo assim, havia que se ter cuidado com o que fosse dito, tinha que se ter mais respeito com a dor, com o sofrimento de quem jogou com o coração, de quem colocou amor em cada lance! Não se ouviu o apito final, mas ele foi dado a partir do momento que tudo ficou no mais absoluto silêncio, como se tivesse morrido alguém! E de certa forma a gente morre um pouco quando se dá conta que perdeu o que nunca teve!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

DE ALBERTO MENEGUZZI

“Esta vida louca é assim. Surpreendente até! Quanto estamos sem nada, ela vem e nos coloca tudo. E quando estamos com tudo, ela nos joga no nada. Quando estamos seguros, lá vem a vida danada nos colocar a insegurança. E quando estamos inseguros, então, ela nos indica caminhos seguros. Difícil estar seguro no imprevisível da vida. E nessa corrida, as vezes, ela nos coloca pessoas especiais. E no jogo da vida, amamos pessoas erradas, em momentos errados, choramos, rimos, aproveitamos cada instante e nos dizemos felizes. Depois, a mesma vida nos apresenta outras possibilidades, outros amores, outras amizades, outros caminhos. E jogamos por terra a felicidade verdadeira. E por sermos tão intempestivos e descontentes com tudo, vamos vivendo num ritmo louco, experimentando tudo que a vida apresenta. E sofremos com isso. E sofremos muito. Quando temos todas as respostas, a vida faz questão de mudar as perguntas.”

domingo, 22 de julho de 2012

ACHAMOS QUE SABEMOS

Outro dia assisti a um filme no DVD do qual nunca tinha ouvido falar – talvez porque nem chegou a passar nos cinemas. Chama-se Vida de Casado, um drama enxuto, com apenas 90 minutos de duração e jeito de clássico. Gostei bastante. Um homem casado há muitos anos se apaixona por uma bela garota e com ela quer viver, mas não sabe como terminar seu casamento sem que isso humilhe sua venerável esposa, então decide que é melhor matá-la para que ela não sofra: não é uma solução amorosa? Não tem o brilhantismo de um Woody Allen, mas o roteiro possui certo parentesco com Crimes e Pecados. Se fosse possível resumir o filme numa única frase, seria: “Ninguém sabe o que está se passando pela cabeça da pessoa que está dormindo ao nosso lado”. * * * Será que nós sabemos, de verdade, o que acontece à nossa volta? Achamos que sabemos. Achamos que sabemos quais são as ambições de nossos filhos, o que eles planejam para suas vidas, esquecendo que a complexidade humana também é atributo dos que nasceram do nosso ventre, e que por mais íntimos e abertos que eles sejam conosco, jamais teremos noção exata de seus desejos mais secretos. Achamos que sabemos o que o amor da nossa vida sente por nós, baseados em suas declarações afetuosas, seus olhares ternos, suas gentilezas intermináveis e sua permanência, mas isso diz tudo mesmo? Nem sempre temos conhecimento das carências mais profundas daquele que vive sob o nosso teto, e não porque ele esteja sonegando alguns de seus sentimentos, mas porque nem ele consegue explicar para si mesmo o que lhe dói e o que ainda lhe falta. * * * Achamos que sabemos quais são as melhores escolhas para nossa vida, e é verdade que alguma intuição temos mesmo, mas certeza, nenhuma. Achamos que sabemos como será envelhecer, como será ter consciência de que se está vivendo os últimos anos que nos restam, como será perder a rigidez e a saúde do corpo, achamos que sabemos como se deve enfrentar tudo isso, mas que susto levaremos quando chegar a hora. Achamos que sabemos o que pensam as pessoas que conversam conosco e que até nos fazem confidências, aceitamos cada palavra dita e nos sentimos honrados pelas informações recebidas, sem levar em conta que muito do que está sendo dito pode ser da boca pra fora, uma encenação que pretende justamente mascarar a verdade, aquela verdade que só sobrevive no silêncio de cada um. * * * Achamos que sabemos decodificar sinais, perceber humores, adivinhar pensamentos, e às vezes acertamos, mas erramos tanto. Achamos que sabemos o que as pessoas pensam de nós. Achamos que sabemos amar, achamos que sabemos conviver e achamos que sabemos quem de fato somos, até que somos pegos de surpresa por nossas próprias reações. Achar é o mais longe que podemos ir nesse universo repleto de segredos, sussurros, incompreensões, traumas, sombras, urgências, saudades, desordens emocionais, sentimentos velados, todas essas abstrações que não podemos tocar, pegar nem compreender com exatidão. Mas nos conforta achar que sabemos. -MARTHA MEDEIROS-

O AMOR QUE A VIDA TRAZ

Você gostaria de ter um amor que fosse estável, divertido e fácil. O objeto desse amor nem precisaria ser muito bonito, nem rico. Uma pessoa bacana, que te adorasse e fosse parceira já estaria mais do que bom. Você quer um amor assim. É pedir muito? Ora, você está sendo até modesto. O problema é que todos imaginam um amor a seu modo, um amor cheio de pré-requisitos. Ao analisar o currículo do candidato, alguns itens de fábrica não podem faltar. O seu amor tem que gostar um pouco de cinema, nem que seja pra assistir em casa, no DVD. E seria bom que gostasse dos seus amigos. E precisa ter um objetivo na vida. Bom humor, sim, bom humor não pode faltar. Não é querer demais, é? Ninguém está pedindo um piloto de Fórmula 1 ou uma capa da Playboy. Basta um amor desses fabricados em série, não pode ser tão impossível. Aí a vida bate à sua porta e entrega um amor que não tem nada a ver com o que você queria. Será que se enganou de endereço? Não. Está tudo certinho, confira o protocolo. Esse é o amor que lhe cabe. É seu. Se não gostar, pode colocar no lixo, pode passar adiante, faça o que quiser. A entrega está feita, assine aqui, adeus. E agora está você aí, com esse amor que não estava nos planos. Um amor que não é a sua cara, que não lembra em nada um amor idealizado. E, por isso mesmo, um amor que deixa você em pânico e em êxtase. Tudo diferente do que você um dia supôs, um amor que te perturba e te exige, que não aceita as regras que você estipulou. Um amor que a cada manhã faz você pensar que de hoje não passa, mas a noite chega e esse amor perdura, um amor movido por discussões que você não esperava enfrentar e por beijos para os quais nem imaginava ter tanto fôlego. Um amor errado como aqueles que dizem que devemos aproveitar enquanto não encontramos o certo, e o certo era aquele outro que você havia solicitado, mas a vida, que é péssima em atender pedidos, lhe trouxe esse e conforme-se, saboreie esse presente, esse suspense, esse nonsense, esse amor que você desconfia que não lhe pertence. Aquele amor em formato de coração, amor com licor, amor de caixinha, não apareceu. Olhe pra você vivendo esse amor a granel, esse amor escarcéu, não era bem isso que você desejava, mas é o amor que lhe foi destinado, o amor que começou por telefone, o amor que começou pela internet, que esbarrou em você no elevador, o amor que era pra não vingar e virou compromisso, olha você tendo que explicar o que não se explica, você nunca havia se dado conta de que amor não se pede, não se especifica, não se experimenta em loja – ah, este me serviu direitinho! Aquele amor corretinho por você tão sonhado vai parar na porta de alguém que despreza amores corretos, repare em como a vida é astuciosa. Assim são as entregas de amor, todas como se viessem num caminhão da sorte, uma promoção de domingo, um prêmio buzinando lá fora, mesmo você nunca tendo apostado. Aquele amor que você encomendou não veio, parabéns! Agradeça e aproveite o que lhe foi entregue por sorteio! -MARTHA MEDEIROS-

CRESÇA E DIVIRTA-SE!

Tenho viajado bastante para acompanhar algumas pré-estreias do filme Divã, baseado no meu livro homônimo. Delícia de tarefa, ainda mais quando a gente gosta de verdade do trabalho realizado, e esse filme realmente ficou enxuto, delicado e emocionante. Além disso, ainda consegue me provocar. A personagem Mercedes (vivida pela incrível Lilia Cabral) está fazendo análise e leva pro consultório muitos questionamentos sobre sua vida. Até que, passado um tempo, finalmente relaxa e se dá conta de que não há outra saída a não ser conviver com suas irrealizações. Diante disso, o analista sugere alta, no que ela rebate: Alta? Logo agora que estou me divertindo?. Eu tinha esquecido dessa parte do livro, e quando vi no filme, me pareceu tão cristalino: um dos sintomas do amadurecimento é justamente o resgate da nossa jovialidade, só que não a jovialidade do corpo, que isso só se consegue até certo ponto, mas a jovialidade do espírito, tão mais prioritária. Você é adulto mesmo? Então pare de reclamar, pare de buscar o impossível, pare de exigir perfeição de si mesmo, pare de querer encontrar lógica pra tudo, pare de contabilizar prós e contras, pare de julgar os outros, pare de tentar manter sua vida sob rígido controle. Simplesmente, divirta-se. Não que seja fácil. Enquanto que um corpo sarado se obtém com exercício, musculação, dieta e discernimento quanto aos hábitos cotidianos, a leveza de espírito requer justamente o contrário: a liberação das correntes. A aventura do não-domínio. Permitir-se o erro. Não se sacrificar em demasia, já que estamos todos caminhando rumo a um mesmo destino, que não é nada espetacular. É preciso perceber a hora de tirar o pé do acelerador, afinal, quem quer cruzar a linha de chegada? Mil vezes curtir a travessia. Dia desses recebi o e-mail de uma mulher revoltada, baixo-astral, carente de frescor, e fiquei imaginando como deve ser difícil viver sem abstração e sem ver graça na vida, enclausurada na dor. Ela não estava me xingando pessoalmente, e sim manifestando sua contrariedade em relação ao universo, apenas isso: odiava o mundo. Não a conheço, pode sofrer de depressão, ter um problema sério, sei lá. Mas há pessoas que apresentam quadro depressivo e ainda assim não perdem o humor nem que queiram: tiveram a sorte de nascer com esse refinado instinto de sobrevivência. Dores, cada um tem as suas. Mas o que nos faz cultivá-las por décadas? Creio que nos apegamos com desespero a elas por não ter o que colocar no lugar, caso a dor se vá. E então se fica ruminando, alimentando a própria "má sorte", num processo de vitimização que chega ao nível do absurdo. Por que fazemos isso conosco? Amadurecer talvez seja descobrir que sofrer algumas perdas é inevitável, mas que não precisamos nos agarrar à dor para justificar nossa existência. -MARTHA MEDEIROS-

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Oh chega de decepções, estou tão machucada, me doem a nuca, a boca, os tornozelos, fui chicoteada nos rins. Um sopro de vida. (Clarice Lispector)

quinta-feira, 19 de julho de 2012

DENTRO DE UMABRAÇO

Onde é que você gostaria de estar agora, nesse exato momento? Fico pensando nos lugares paradisíacos onde já estive, e que não me custaria nada reprisar: num determinado restaurante de uma ilha grega, em diversas praias do Brasil e do mundo, na casa de bons amigos, em algum vilarejo europeu, numa estrada bela e vazia, no meio de um show espetacular, numa sala de cinema assistindo à estréia de um filme muito esperado e, principalmente, no meu quarto e na minha cama, que nenhum hotel cinco estrelas consegue superar – a intimidade da gente é irreproduzível. Posso também listar os lugares onde não gostaria de estar: num leito de hospital, numa fila de banco, numa reunião de condomínio, presa num elevador, em meio a um trânsito congestionado, numa cadeira de dentista. E então? Somando os prós e os contras, as boas e más opções, onde, afinal, é o melhor lugar do mundo? Meu palpite: dentro de um abraço. Que lugar melhor para uma criança, para um idoso, para uma mulher apaixonada, para um adolescente com medo, para um doente, para alguém solitário? Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve. Que lugar melhor para um recém-nascido, para um recém-chegado, para um recém-demitido, para um recém-contratado? Dentro de um abraço nenhuma situação é incerta, o futuro não amedronta, estacionamos confortavelmente em meio ao paraíso. O rosto contra o peito de quem te abraça, as batidas do coração dele e as suas, o silêncio que sempre se faz durante esse envolvimento físico: nada há para se reivindicar ou agradecer, dentro de um abraço voz humana nenhuma se faz necessária, está tudo dito. Que lugar no mundo é melhor para se estar? Na frente de uma lareira com um livro estupendo, em meio a um estádio lotado vendo seu time golear, num almoço em família onde todos estão se divertindo, num final de tarde à beira-mar, deitado num parque olhando para o céu, na cama com a pessoa que você mais ama? Difícil bater essa última alternativa, mas onde começa o amor senão dentro do primeiro abraço? Alguns o consideram como algo sufocante, querem logo se desvencilhar dele. Até entendo que há momentos em que é preciso estar fora de alcance, livre de qualquer tentáculo. Esse desejo de se manter solto é legítimo. Mas hoje me permita não endossar manifestações de alforria. ...recomendo fazer reserva num local aconchegante e naturalmente aquecido: dentro de um abraço que te baste. Martha Medeiros

terça-feira, 17 de julho de 2012

O DEUS DAS PEQUENAS COISAS

"'Me sinto uma fracassada'.Não é uma frase fácil de se ouvir de alguém. Soa até mesmo incompreensível quando se trata de uma mulher linda, rica, que mora numa casa deslumbrante, passa uma parte do ano no Brasil e a outra em Nova York, é casada com um homem igualmente lindo e apaixonado por ela, tem dois filhos que são uns doces, é uma profissional bem-sucedida e já deu a volta ao mundo uma meia-dúzia de vezes. O que é que falta? “Um projeto de vida”, responde ela.Existe uma insaciedade preocupante nessa mulher e em diversas outras mulheres e homens que conquistaram o que, a priori, todos desejam, e que ainda assim não conseguem preencher o seu vazio. Um projeto de vida, o que vem a ser? No caso de quem tem tudo, pode ser escrever um livro, adotar uma criança, engajar-se numa causa social, abrir um negócio próprio, enfim, algo grandioso quando já se tem tudo de grande: amor, saúde, dinheiro e realização profissional. Mas creio que esse projeto de vida que falta a tantas pessoas consiste justamente no que é considerado pequeno e, por ser pequeno, novo para quem não está acostumado a se deslumbrar com o que se convencionou chamar de “menor”.Onde é que se encontra o sublime? Perto. Ao regar as plantas do jardim. Ao escolher os objetos da casa conforme a lembrança de um momento especial que cada um deles traz consigo. Lendo um livro. Dando uma caminhada junto ao mar, numa praça, num campo aberto, onde houver natureza. Selecionando uma foto para colocar no porta-retrato. Escolhendo um vestido para sair e almoçar com uma amiga. Acendendo uma vela ou um incenso. Saboreando um beijo. Encantando-se com o que é belo. Reverenciando o sol da manhã depois de uma noite de chuva. Aceitando que a valorização do banal é a única atitude que nos salva da frustração. Quando já não sentimos prazer com certas trivialidades, quando passamos a ter gente demais fazendo as tarefas cotidianas por nós, quando trocamos o “ser feliz” pelo “parecer feliz”, nossas necessidades tornam-se absurdas e nada que viermos a conquistar vai ser suficiente, pois teremos perdido a noção do que a palavra suficiente significa.Sei que tudo isso parece fácil e que não é. Algumas pessoas não conseguem desenvolver essa satisfação interna que faz com que nos sintamos vitoriosos simplesmente por estarmos em paz com a vida, mesmo possuindo problemas, mesmo tendo questões sérias a resolver no dia a dia. É inevitável que se pense que a saída está na religião, mas dedicar-se a uma doutrina, seja qual for, pode ser apenas fuga e desenvolver a alienação. Mais do que rezar para um deus profético e soberano, acredito que o que nos sustenta passa sim, por uma espiritualidade, porém menos dogmática. É o cultivo de um espírito de gratidão, sem penitências, culpas, pecados e outras tranqueiras. Gratidão por estarmos aqui e por termos uma alma capaz de detectar o sublime no essencial, fazendo com que todo o supérfluo, que não é errado desejar e obter, torne-se apenas uma consequência agradável desse nosso olhar íntimo e amoroso a tudo o que nos cerca." Martha Medeiros

A MELHOR COISA QUE NÃO ME ACONTECEU

Antes do ator Daniel Craig ser confirmado como o novo James Bond do cinema, havia uma onda de boatos que prenunciava Clive Owen no papel. Lendo uma entrevista com Owen, ele disse que essa foi a melhor coisa que nunca lhe aconteceu, pois quanto mais ele negava a informação, mais se falava sobre ele. É uma maneira de se divertir com o destino, mas a frase que ele usou é tão boa que deixemos o bonitão pra lá e vamos adiante: qual foi a melhor coisa que nunca lhe aconteceu? Comigo, acho que foi aos 14 anos de idade. Eu iria para a Disney com a família e alguns primos. Estava ansiosa pela viagem, quase não dormia à noite. Seria minha primeira vez no Exterior, um acontecimento. No entanto, uns 10 dias antes de embarcar, o governo estabeleceu um tal imposto compulsório que tornou a viagem proibitiva. Fim de sonho: não haveria grana para bancar a aventura. Os passaportes novinhos em folha foram para o fundo da gaveta e eu passei mais uma noite sem dormir, só que dessa vez de tristeza. Era julho e minhas férias escolares se resumiriam a ficar em casa. Porém, haveria uma excursão do colégio para a Bahia, e muitas de minhas colegas de aula iriam. Pensei: nada mal como prêmio de consolação, trocar o Mickey pelo Pelourinho. O preço era uma merreca se comparado a uma viagem aos States. De ônibus até Salvador, imperdível! Virei, mexi, implorei, consegui a última vaga e fui. Resultado: voltei com meia dúzia de amizades tão fortalecidas que, até hoje, somos como irmãs. Tenho certeza de que se eu não houvesse viajado com elas, eu jamais teria entrado para o grupo que pertenço com orgulho até hoje. A Disney foi a melhor coisa que nunca me aconteceu. Fico imaginando as histórias que podem não ter acontecido com você. Namorar uma pessoa por oito anos e romper dias antes de subir ao altar: não ter casado pode ter sido a melhor coisa que nunca lhe aconteceu, vá saber o que o destino lhe ofereceu em troca. Ou você não ter passado num concurso. Nunca ter recebido a ligação que tanto esperava. Nunca ter recuperado um objeto perdido que o deixava preso a lembranças paralisantes. Ter ficado com fama de ter sido o grande amor de uma modelo espetacular: na verdade, ela nunca olhou pra você, mas um mal-entendido fez com que muitos acreditassem na lenda e até hoje você recebe os dividendos: foi a melhor coisa que nunca lhe aconteceu. É uma visão generosa da vida: imaginar que os não acontecimentos fizeram diferença, que você está onde está não só por causa das escolhas que fez, mas também pelas especulações que nunca se confirmaram. Ao manter esse caráter desestressado, eliminamos a palavra derrota do nosso vocabulário e a alma fica mais aliviada, o que não é pouca coisa nesse mundo em que tanta gente parece pesar toneladas devido ao mau humor e ao pessimismo. Cá entre nós, viajar de Porto Alegre até Salvador de ônibus para passar três dias e voltar, e achar isso uma beleza, é a prova de que ter o espírito aberto funciona. Martha Medeiros
... Triste é ver-te enganando-se enquanto pensas enganar o mundo ... Triste é saber do fim dos teus passos enganados pelo mundo ilusório que pintastes ... Triste é saber que impotente, eu apenas estarei a assistir enquanto duro o teu coração persiste ... Eu, fiz o que pude por você, agora ... siga e repense ... E quando teu coração do arrependimento real e sincero se preencher, lutará pela conquista da confiança que por tuas mãos perdestes ... Não a minha, mas de tantos quanto também te amam ... lamento!

quinta-feira, 12 de julho de 2012

MORRE LENTAMENTE...

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece. Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru. Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos. Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos. Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo. Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar. Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante. Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe. Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um feito muito maior que o simples fato de respirar. Somente a ardente paciência fará com que conquistemos uma esplêndida felicidade. Pablo Neruda

terça-feira, 26 de junho de 2012

Ora, tristeza, tente ao menos ser mais leve. Quero de volta meus discos de dance music, que você tirou da prateleira. E minhas roupas estampadas, que sumiram do meu armário depois que você se instalou aqui. Por favor, não tente entrar em contato comigo com as velhas razões de sempre. Não é a fria lógica dos seus argumentos que irá guiar meu coração daqui por diante. Quero ver a vida por outros olhos, que não os seus. Quero beber por outros motivos, que não afogar você dentro de mim. Cansei da sua falta de senso de humor, do seu excesso de zelo. Vá resolver suas carências em outro endereço. (Fernanda Young)

domingo, 24 de junho de 2012

AOS QUARENTA...

" Uma mulher com mais de 40 se conhece o suficiente para estar segura de si mesma, para saber o que quer, para saber quem quer. São poucas as mulheres com mais de 40 que se importam com o que você pensa delas." E cada dia tenho comprovado isso em minha vida. Essa história de ser difícil, de não mostrar interesse, de se "fazer de rogada" não tem razão de ser comigo. Ainda posso quebrar a cara, ainda podem partir meu coração, mas não deixarei de manifestar meu desejo, não me privarei de escrever o que tenho vontade que seja lido, não me esconderei por trás de rótulos que aos 40 anos não me cabem mais carregar! Ainda poderei fazer escolhas erradas, mas essas ficarão por minha conta e risco, e, como diz a música "se amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer!". Não terei que prestar contas a ninguém que não a mim mesma. Eu serei responsável pelos "sims" e pelos "nãos" que tiver que ouvir! Só o que me entristece é o desperdício que as vezes nos impomos, negando-nos assim, a oportunidade de conhecer alguém que sabemos, sentimos, intuímos ser especial...esperado! Que ventos sopram contra essa corrente? Que caminhos tortuosos estão sendo percorridos? Que águas revoltas precisam ser desafiadas? Talvez só uma mulher de 40 possa responder! Talvez a resposta seja tão nítida e clara que só uma mulher de 40 é capaz de entender! Talvez seja porque aos 40, nós somos mais sutis, não entramos em confrontos e queremos estar ao lado de alguém que não tenha medo de tentar...de ousar...de amar e muito provavelmente de ser feliz!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

“Gosto de pensar assim: se a gente faz o que manda o coração, lá na frente, tudo se explica. Por isso, faço a minha sorte. Sou fiel ao que sinto.” (Caio Fernando Abreu)

domingo, 17 de junho de 2012

NUNCA DEIXE DE AGRADECER!

Difícil esse dia após dia a que chamamos VIDA. Eu pensava que tinha uma opinião formada sobre o que viemos fazer aqui! Mas as vezes tenho dúvidas se viemos com um roteiro já escrito ou se as coisas vão mudando conforme nosso comportamento durante o trajeto. Se o roteiro já está pronto, não há o que fazer, é só esperar o desenrolar dos acontecimentos. "Estava escrito" diriam alguns! Se as coisas mudam conforme nossos atitudes, nossos pensamentos, nossos atos ou sentimentos, então estamos aqui para viver todos os tipos de emoções e experiências! Vemos portas se fechando, janelas se abrindo, lutas diárias e intermináveis por uma sobrevivência digna. Busca incessante de uma tal FELICIDADE! Me permito essas palavras, porque estou vivendo uma situação muito grave, delicada e que está exigindo e ao mesmo tempo tirando de mim todas as minhas forças! Eu acredito em Deus, num ser maior que tudo e todos e que está no comando da nave particular de cada um. Sei que Ele, na sua infinita sabedoria, nos coloca em momentos de provação quando acha que precisamos aprender ou perceber alguma coisa que estamos relutantes em absorver. É a única explicação que posso aceitar, uma vez que não acredito que Ele não nos dá um peso maior do que possamos suportar! As vezes pode até ser por pequenas coisas que fazemos ou dizemos no dia a dia...pequenas lamentações que proferimos... -Que calor...adoro o inverno! -Que frio...saudades do verão! -Que droga, amanhã é segunda feira de novo! -Que triste acordar cedo e ter que ir trabalhar! -Por que não nasci rico? -Por que meu cabelo é crespo? -Adoraria ter o cabelo liso! -Se eu soubesse, não tinha casado! -Por que nos separamos? Enfim, daria pra desfilar um rosário de queixas aqui, pois na verdade nunca estamos satisfeitos com o que temos e nunca lembramos de agradecer pelo que temos. E cansamos de ver e saber de pessoas que seriam felizes apenas por poder acordar todos os dias e ver a luz do sol, ouvir os sons do mundo, andar com as próprias pernas! Já vivi situações difíceis antes,mas agora sinto que é meu xeque-mate. Tive e tenho o apoio de pessoas especiais, que prontamente foram solidárias ao meu desespero, mas sinto que estou em dívida com Deus. Quando tudo isso passar, com certeza serei outra pessoa, pois Ele não me deu uma prova tão grande e dolorosa se não fosse para o meu crescimento e aperfeiçoamento como pessoa. Mesmo tendo vivido dias de indecisão e angústia, sinto que Ele não vai me abandonar! Tudo vai acabar bem e eu preciso, quero e acredito nisso!

domingo, 10 de junho de 2012

"A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista." Mario Quintana

PRESENÇA

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas, teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos... É preciso que a tua ausência trescale sutilmente, no ar, a trevo machucado, as folhas de alecrim desde há muito guardadas não se sabe por quem nalgum móvel antigo... Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela e respirar-te, azul e luminosa, no ar. É preciso a saudade para eu sentir como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida... Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista que nunca te pareces com o teu retrato... E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te. Mario Quintana
Somos donos de nossos atos, mas não donos de nossos sentimentos; Somos culpados pelo que fazemos, mas não somos culpados pelo que sentimos; Podemos prometer atos, mas não podemos prometer sentimentos... Atos sao pássaros engailoados, sentimentos são passaros em vôo. Mario Quintana

sábado, 9 de junho de 2012

"Dias tristes, vontade de fazer nada, só dormir. Dormir porque o mundo dos sonhos é melhor, porque meus desejos valem de algo, dormir porque não há tormentos enquanto sonho, e eu posso tornar tudo realidade." -CAIO F.ABREU-

PORTA VOZES

Quando eu não souber o que falar, ou quando eu não conseguir coordenar num texto as minhas dores os meus amores ou dissabores,minhas alegrias e as alforrias que me permito, eu tenho, mesmo sem eles saberem ou terem me dado permissão para tal, quem fale por mim! Despeja Caio Fernando Abreu...melancoliza Florbela Espanca...escancara Clarice Lispector...ironiza Fabrício Carpinejar...azeda Charles Bukowski...enternece Cecília Meireles...adoça Mário Quintana...canta Ana Carolina...encanta Marisa Monte...celebra Maria Bethânia! Modestamente eu agradeço poder contar com vocês quando tudo me foge!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

(...) rimar amor e dor, quantos fizeram diria alguém que fez também, sem reparar e que no ato de amar não atentou para os mistérios e os nocautes que só a vida com sabedoria faz rimar. Martha Medeiros

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Como é infinitamente triste e dolorosa a missão de ter que esquecer alguém. Ter que tirar alguém de circulação. Da circulação de nossas veias, impedir que transite por nossos pensamentos, tirar o som da voz em nossos ouvidos, apagar a presença! Por que tem que doer tanto se a gente nem conhecia essa pessoa antes, ela não fazia diferença se existia ou não. Vivíamos sem ela, acordávamos sem ela, respirávamos sem ela, dormíamos sem nem imaginar que ela fazia parte desse mundo. De repente, ela aparece de algum lugar e vai se instalando em pedacinhos de nosso cotidiano até que não concebemos passar um dia sem vê-la, quanto mais o resto da vida! É doloroso viver essa experiência e é também doloroso assistir alguém vivenciando essa mesma situação, principalmente alguém muito próximo da gente. Eu já participei ativamente de algumas missões desse tipo...nunca saí ilesa...a gente não sai sem machucados de experiências desse tipo, mesmo que seja só um arranhão! Alguma coisa a gente aprende. Algumas coisas não faremos do mesmo jeito se outro alguém aparecer no decorrer da missão em andamento. Eu só sei que é "punk", pra descrever bem a fundo esse sentimento de perda, de vazio da presença, de ter que acordar de manhã, depois de uma noite sem dormir, e se dar conta que acabou e que apesar de, que mesmo assim, que de qualquer jeito a gente vai ter que sair da cama e encarar...encarar até a hora de voltar pra casa e chorar enquanto a água do chuveiro cai e se mistura às nossas lágrimas...e a gente se aninha na cama novamente e vê o dia clarear pra nos lembrar que tudo continua...que a missão continua e pode não ser impossível, pelos menos não eternamente!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

FELICIDADE?

A gente se acostuma a não ser feliz? Não,não que se seja infeliz, mas a gente sabe que está faltando alguma coisa pra se autoproclamar FELIZ! A gente agradece por ter saúde, por ver, ouvir, falar, andar, por ter um teto, por ter um prato, por ter trabalho, por ter escolhas, por ter esperanças... por ter a perspectiva do amanhã... Somos bem aventurados por todas essas dádivas e, muitas vezes, nem percebemos o quanto isso tudo é grandioso. Deveria bastar. Teria que bastar. Mas a gente sente que não está pleno, que a alma ainda é pequena e o coração bate ansioso! Sempre peço que Deus me perdoe por essa minha "falta de felicidade", mas não esqueço de agradecer pelo que tenho. Não sou infeliz...não sou feliz...apenas sou, um dia de cada vez,da melhor maneira que eu conseguir ser! Depende de mim? Pra dizer a verdade, acho meio hipocrisia dizer que eu tenho as duas opções: ser feliz ou não ser feliz. Claro que eu escolheria a primeira. Mas há todo um contexto ao redor. É como se eu fosse uma ilha rodeada de água por todos os lados. Nem sempre as águas estarão calmas e cristalinas. De repente, surgirão ventos que revolverão essa calmaria e escurecerão as águas até então límpidas. As árvores balançarão, galhos serão jogados ao longe, folhas se espalharão e a ilha ficará temporariamente desconhecida, desprotegida, desorganizada...até um próximo amanhecer ensolarado e manso, trazendo um momentâneo descanso e uma brisa de FELICIDADE! Assim é que me vejo...assim é que tento me conhecer, assim é que procuro viver, assim é que busco entender a vida e as pessoas! Somos únicos, exclusivos, somos uma fonte inesgotável de possibilidades...e vamos nos possibilitando ao longo do percurso dessa aventura chamada VIDA!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

MUDANÇAS!

A vida é uma contínua coleção de mudanças.Infelizmente ou estranhamente- como quer que você julgues- as pessoas, conforme amadurecem, geralmente tendem a apreciar menos as novas experiências e desafios.
Ao mesmo tempo em que atingimos um patamar em que somos intelectualmente superiores ao que éramos na juventude, tendemos, em nossa maioria, a desconsiderar as fabulosas oportunidades que temos de explorar os infinitos mistérios da vida. A segurança e a familiaridade parecem trazer conforto e satisfação. A ironia é que justamente nos nossos anos avançados é que somos mais capazes de lidar com as mudanças e aproveitar a vasta série de experiências que elas proporcionam. A vida é o acúmulo constante de toda e qualquer pessoa que já viveu. Ela é a interação de todas as coisas a todo momento. Todos os organismos vivos têm uma relação e um significado uns para os outros. Existimos juntos nesse mundo, cada um de nós com nossa própria parcela de contribuição. A importância de entender que todos nós temos algo de valor para partilhar nessa vida é o que transforma um dia no outro!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

CICLOS

Difícil tomar decisões! Difícil tomar decisões e marcar a segunda feira para o início das mudanças, consequentes das decisões tomadas! Segundas feiras já são por si próprias...difíceis... E por que hoje é segunda e estou tremendamente cansada,até para pensar, eu vou fazer como
Scarlett O'hara e deixar para pensar nisso amanhã..."afinal amanhã será um novo dia"...e quem sabe o vento me leve para outras direções!

sábado, 28 de abril de 2012

"Andei amando loucamente, como há muito tempo não acontecia. De repente a coisa começou a desacontecer. Bebi, chorei, ouvi Maria Bethânia, fumei demais, tive insônia e excesso de sono, falta de apetite e apetite em excesso, vaguei pelas madrugadas, escrevi poemas (juro). Agora está passando: um band-aid no coração, um sorriso nos lábios – e tudo bem. Ou: que se há de fazer." ((Caio F. Abreu))

domingo, 8 de abril de 2012

CLARICEANDO!

Não me prendo a nada que me defina.
Sou companhia, mas posso ser solidão.
Tranquilidade e inconstância. Pedra e coração.
Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor,
sarcasmo, preguiça e sono!
Música alta e silêncio.
Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser.
Não me limito, não sou cruel comigo!
Serei sempre apego pelo que vale a pena
e desapego pelo que não quer valer…
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência
e sim de sentir, de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca."
(Clarice Lispector)

FALANDO DE MIM

FALANDO DE MIM (Clarisse Lispector)
Eu sou um ser totalmente passional.
Sou movida pela emoção, pela paixão ...tenho meus desatinos...
Detesto coisas mais ou menos.
Não sei conviver com pessoas mais ou menos.
Não sei amar mais ou menos.
Não me entrego de forma mais ou menos.
Se você procura alguém coerente, sensata, politicamente correta, racional, cheia de moralismo...ESQUEÇA-ME!
Se você sabe conviver com pessoas intempestivas, emotivas, vulneráveis, amáveis, que explodem na emoção...ACOLHA-ME!
Se você se assusta com esse meu jeito de ser, AFASTE-SE!
Se você quiser me conhecer melhor.APROXIME-SE!
Se você não não gosta de mim, IGNORE-ME...
E quando eu partir...NÃO CHORE!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A ARTE DE PERDER

“A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente
Da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. E um império
Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério. “
(Elisabeth Bishop)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

COMO ÁGUIA!

A gente tem que saber a hora de parar...ou recuar...ou desistir...!
A vida dá sinais! As pessoas dão sinais! É preciso um mínimo de sensibilidade e inteligência pra perceber!
As águias sabem disso. Sabem quando tem que optar entre morrer ou se isolar para voltarem renovadas. Por que eu não haveria de saber?
Preciso desse tempo...só sinto não ter asas pra poder voar para uma montanha bem alta e bem afastada de tudo e de todos...mas pensando bem, de que adiantaria ir tão longe, se os meus demônios estão aqui, dentro de mim!

sábado, 28 de janeiro de 2012

ESPERANÇA

Tenho calma na minha espera
Sento na estrada,
Para te esperar passar.
Devagar, é assim
Que vais chegar
Tanto tempo já passou
Tantas outras já tivestes
Mas teu destino é
Passar por mim,
Pela minha estrada
E na minha casa entrar
Fazer parte da minha vida
Pra me amar.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Não fui, na infância, como os outros
e nunca vi como outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar de fonte igual à deles;
e era outra a origem da tristeza,
e era outro o canto, que acordava
o coração para a alegria.
Tudo o que amei, amei sozinho.
Assim, na minha infância, na alba
da tormentosa vida, ergueu-se,
no bem, no mal, de cada abismo,
a encadear-me, o meu mistério.
Veio dos rios, veio da fonte,
da rubra escarpa da montanha,
do sol, que todo me envolvia
em outonais clarões dourados;
e dos relâmpagos vermelhos
que o céu inteiro incendiavam;
e do trovão, da tempestade,
daquela nuvem que se alteava,
só, no amplo azul do céu puríssimo,
como um demônio, ante meus olhos.

Edgar Allan Poe